palavras

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palavras

 

Não escrevo porque quero
escrevo porque preciso
preciso irrigar meus neurônios
preciso arejar minhas células
palavras são águas cristalinas
atravessam caminhos forçando
passagem.
Elas se soltam de seus lugares
vagam livremente sem sentido
correm pela inteligência
caem, levantam, atropelam
arrebentam frases
entopem interpretações
entulham observações.
As palavras são traiçoeiras
mentem, dissimulam, transgridem
viajam por lugares estranhos
estacionam, se confrontam
se batem.
As minhas palavras fingem
dissimulam minha lealdade
me enganam
me desafiam
me paralisam
sou carregado de palavras levianas
que blasfemam no meu ouvido
remetem o esquecido, eu lembro
acordam o perdoado, eu sinto raiva
renovam o aborrecido, eu ressinto
elas me testam incessantemente
me colocam pedras
arames farpados
escuridão
Elas caminham por mim
simulando uma falsa suavidade
me escrevem textos obscuros
impublicáveis, desconexos
que preciso endireitar.
Palavras são assim:
traidoras
traiçoeiras
trépidas
Minhas palavras são o esforço de meu raciocínio
causam furor quando chegam
então…
eu as apanho no chão
quebro as pedra com as mãos
deixo o sangue escorrer
vejo o vermelho dançando
olho fixamente para ele
até as lágrimas derramarem
as palavras que consegui recolher.
É assim que sigo
desafiando palavras
até que consiga com um sentido
estancar seu derramamento.

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