poesia do atropelo

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Poesia do atropelo

Não!
nem te conheço.
Nunca vou dizer de ti
tudo o que eu disser de ti
estará melado de mim.

Eu não possuo o poder de te conhecer
não te enxergo
não te ouço
não te sinto
direi apenas o que de mim
penso de ti
é mau e não é real.

É isso!
não há remédio
há somente o meu dizer leviano
de ti ausente,
vazio e vulgar,
atropelado e inútil.

O que eu queria era te descascar.

Não!
eu não devo me macular com infâmias
não devo te responsabilizar por injúrias
postas por mim.
Nem te encontro em mim ainda.
Por que te usarei assim,
desconhecidamente,
para dizer o que não sei de ti?

Não!
nunca saberei de ti o que eu
penso que sei
por mais que me reveles,
tu é que terás de contar de ti.
E eu? apenas escutar os ecos em mim
silenciosamente e respeitosamente.
Entendi!
Tudo que farei com isso será meu.
E tu? Serás eternamente outro
escapado de mim.

Nem os encontros
nem o roçar das peles
nem toda mistura dos líquidos
todos nossos,
apaziguarão os mistérios indecifráveis
que teremos que enfrentar
eternamente.

O amor tem disso,
requer esforço.
Ele se acha
nos silêncios das contenções
nas ausências das invasões
nos temores das suspeitas
Eu quero amar assim!

Choro por isso
suporto engolido de lágrimas,
por não conseguir saber o que de ti está em mim.
Fico somente com a certeza
de que para sempre terei de viver
apaziguado com as incertezas.

3 ideias sobre “poesia do atropelo

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