rosa incandescente

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Tenho bobagens importantes. Disse Clarice Lispector no livro Legião Estrangeira: “Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.”

Dou não ao meu não
ele precisa parar de sair
quero que os meus “sins”
sacudam, borbulhem
transbordem…
sem impedimentos
nem lamentos
A Rosa me espera
ela quer divertimento.
A Rosa é louca,
louca pelo meu vermelho.
Vermelho rosado escondido
que a Rosa, sorrindo
vem me pedindo.
Quando olho a Rosa
sinto o vermelho na janela
me puxando como imã,
minha imaginação brota
eu embarco nessa sina.
Nessa viagem colho,
peço uma mordida no olho
inocentemente, para ver
o vermelho transbordar.
A Rosa é indecente
cor de fogo reluzente
cor de ferro incandescente
ela brinca com meu olho
eu enxergo novamente.
Vejo os vermelhos na Rosa
querendo me aprisionar
eu resisto bravamente
tentando me libertar.
Ela passa a me lamber
em vez de dor sinto prazer
e desejo de comer.
Rosa resiste bravamente
inventa que está doente
e me devolve rapidamente
uma mordida somente.
Eu de fato não peguei
os vermelhos eu larguei
se espalharam pelo tempo
inundaram meus pensamentos.
Pensei em vermelho
perdi todas as cores
não ouvi o seu conselho.
Acabei com a encenação
sai feito camaleão
me arrastando pelo chão,
confundi a bicharada,
mas guardei
Rosa no coração.

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