alegria

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De noite é sempre assim,
a alegria vem me visitar.
Ela sempre chega embriagada
de entusiasmo e excitação,
Hoje ela chegou com as palavras recolhidas,
tímida e silenciosa.
Sentou, cruzou as pernas,
respirou, me olhou profundamente
e começou a falar.
Me contou da fartura do mundo
e me disse que chora com cegueira de seus habitantes,
chora como criança pequena pelos
perdidos olhares que tropeçam para dentro
por não verem o azul que as coisas têm.
Chora pelos pensamentos que pingam no chão
gastos pela repetição do que já foi,
tirando as marcas do que poderia ser melhor.
Ela contou sobre a tristeza das extensões,
das necessidades de prolongamento,
daquilo que era para ser só lá,
naquela hora, e que mesmo assim, nunca basta.
Ela me disse sobre os bobos,
sobre os necessitados do barulho,
sobre os que não se encontram e que
buscam, pelas vias que passam,
vozes que lhe gritem pelo nome,
Ela chorou pelos perdidos olhares suplicantes
por serem notados
para que lhe digam que existem.
Tropeçou em cambaleantes embriagados
de chá e café amargo,
tragados num bar qualquer,
de uma rua aleatória,
onde buscavam dividir pensamentos,
só encontraram a dor de si
a apagada dor mal sentida,
escondida entre falsos sorrisos,
nos armários e gavetas da consciência,
à espreita de um verdugo que passe
e acesse esse material amassado
e velho.
A alegria chorou, porque ri
lhe feria o contentamento.

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