velha cadeira

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Uma carreira inteira
deixo escorrer de mim.
Sou fraco de perseverança,
me sento em tempos
que eu queria que ficassem.
Quando eles passam por cima,
no arroubo de uma lembrança,
apanho-os pela ponta.
Sento na velha palha
e recordo os momentos
em que robustos sentimentos
me assaltaram com promessas
de eternidade.
Desperto pelo sopro de um
vento rápido que devolve
as lembranças pro seio das recordações.
Tudo permanece tal qual está agora,
seco, oco, real.
Ficou apenas a força
de um tempo em que a cadeira
compunha com as outras
uma vida farta de possíveis
fantasias.

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