em desuso

tanque

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi o tempo que me desgastou.
Já te recebi por aqui,
em mim molhado.
Com a calça suada,
com a blusa melada.
Já senti o sabor dos teus segredos.
O cheiro dos teus beijos já
escorreram pelas minhas águas
virgens e límpidas.
Molhei os restos do teu prazer,
misturei com sabão,
fiz espumas cremosas limparem
teus sonhos e as tuas decepções.
Te deixei alva e nova, recuperada,
pronta pra novas enxurradas.
Limpei como santa clara
os restos de tua carne usada,
revirada e remexida.
Apaguei os cheiros de teus sucos
derramados, as manchas de teu
prazer impregnado.
Desinfectei os odores que guardavas
escondido no fundo dos cestos
exalando os cheiros
das tuas noites de puro gozo.
Revigorei teus instantes,
requalifiquei teu semblante,
renovei teu sabor de agradável maciez.
Te deixei pronta,
para que te sentissem outra vez.
E eu, aqui e agora,
aberto e sozinho,
sentindo teu cheiro que o tempo
com seu desuso impregnou em mim.
Olho pra cima,
espero a água cair
pra escorrer as lembranças
pelo ralo.

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