Arquivo do autor:agisjunior

Sobre agisjunior

Sou um farmacêutico psicólogo, estudante de psicanálise e aficcionado em construir imagens. Digo construir porque a imagem se monta, se constitui a partir de um olhar individual, precisamente impregnado de tantos outros elementos que a esbarrarem. É essa somatória de elementos que produz o sentido a um olhar.  Passei e passo ainda, grande parte do meu tempo entre substâncias, elementos químicos e vidrarias elaborando e produzindo produtos cosméticos, passo ainda tempos facilitando a arte da elaboração de ideias que podem parecer desconexas, mas que quando bem arranjadas produzem um sentido que muitas vezes liberta.  Como elaborador de ideias preciso que a inquietação me habite e passeie por mim constantemente. É ela me arrasta para a criação, é ela que me faz pensar e elaborar projetos que sempre se materializam no campo da estética.  A fotografia me acompanha desde muito jovem, experimentei desde rolos de filmes com máquinas analógicas, em que a intuição precisava estar vinculada a algum conhecimento técnico, até a era da fotografia digital que demonstra uma certa facilidade, mas que não dispensa e nem recusa um olhar construido por elementos diversos.

ela varia

ela varia

Não liguem
Ela varia
Ela pode ser dia
Uma clara calmaria
Ela pode ser fria
Uma nítida antipatia
Ela até pode ser noite
Uma clara escuridão
Sem mão nem clarão
Fechada e arisca
Ninguém
Se arrisca
Ela belisca, dói
Destrói o dia…
E mesmo sendo noite
Ela parece dia
É isso…
Ela varia
Ela pode ser rio
E até mar com maresia
Ela é poesia
Depende do dia
Ela varia
Ela até faria mar
mas voaria
E perturbaria
um dia de calmaria
Ela varia.

desabafo

poema_1

Sou um cachorro na frente do osso!
Ávido por satisfação
Me engano da completude todos os dias
Ela me sabota e eu me entrego ao engano
Depois…ela celebra sua partida
E eu enganado, com gostinho de vitória
Volto a viver mendigando
Aceitando migalhas.

Ainda não me passou pela cabeça
Que existem outras opções,
A de sentir o sofrimento e
deixar o querer pra lá
Num processo de iluminação repentina
Ele me diz que preciso correr
parar
refletir
até saber sentir que sua ausência
é eterna
Corro pra vida buscando
Ele se esconde de mim
e a cada minuto põe uma máscara diferente
sofro do engano dos que têm esperança
Amanheço querendo desistir
depois de ter sonhado e sentido
um pingo que fosse
de sua promessa cumprida,
mas no próximo instante
ele se apaga como chama
destruida pelo vento
Eu, desolado, prometo
deixar chegar em mim
os sabores do sofrimento.