Arquivo da categoria: poesia

segredo

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Não quero a cara limpa
descarada
quero os segredos,
os desaparecidos,
rumores de um amor
esquecido
Quero os disfarces
dos encontros proibidos
e a dor da desesperança
de acordar sozinho
Quero o opaco na
minha visão
Pra ter a sorte
de na mansidão
te encontrar no escuro
dos lençóis brancos
demarcados ponto a ponto
desenhados do desejo
que te dediquei.
Quero uma vez mais
o abraço mais quente
e a tua boca ardente
a gritar…
A gritar por mim.
Sei que o amor
vai e vem
quero que o vem
te traga inteira
até a canseira
do meu orgasmo pleno
quero que o vai
te leve longe
e que o meu descanso
renove meu desejo
de te ter covarde,
saliente e indecente
repetindo sempre:
o meu amor não é teu
é meu
e ainda assim
te dou uma fagulha dele
para que acenda em ti
uma luz que te faça
repetir.
E eu repito
incessantemente
esse amor
que me acende.

rubro

agisjunior 31

Auto retrato

Sou rubro
Sou o vermelho
do coração pingado
puro sangue derramado
entre gritos e papéis
trago o rubro medo
que me invadiu
que amassou minhas indigestas
tentativas de acordar
achando que eu era novo…
mais lucido
mais claro
mais transparente
O vento sopra para lá
arrasta a fraca luz
dos meus olhos
Fecho-os mareados
pelo alegre esquecimento
de minhas dores
Me acordo triste,
apalpo as dores
amacio o meu sofrer
sem ver que até
a dor que contei um dia
ficou rubra
encarnada
entupida
pelo vermelho
sequestrado de mim
naquele dia.
Nasci!
e por agora
estou rubro,
até no cinza
dos meus opacos
sentimentos…

Osso

agisjunior 10

Parei de sentir
para frente
agora só ressinto
sinto agora

A idade tem disso
deixa tudo aqui
calculado no agora
espremido no resto
de tempo que há

O que foi
foi
e se não foi
não será mais agora
Saudade!

A saudade
dói num osso
esquecido
deixado de lado…

Falo

agisjunior 8.jpg

Depois de tudo,
após cair a tarde
senti a dor do que não vivi

Sem saber sentir
me despi
e nu fiquei
com olhos fixos,
acesos
assistindo os fatos
me violentarem

Em cada fato
um falo
Em cada falo
uma fala
guardada na dor
disfarçada
da minha ignorância.

Gozei
dores
dissabores
amores…

falta

AgisJunior_27

Ainda
que me
faltem
OLHOS
BOCA
DENTES
ficarei
aqui
impávido
sorridente
vacilante
rangendo
dentes
imaginarios
olhando
quadros
pintados
na mente
forjada
materializada
dizendo
frases
que não
OUVI
que não
SENTI
que não
FALEI
Apenas
hei
de ver
um quadro
branco
de brandos
pensamentos
a clamarem
por
sossego.

eu

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Na solidão
me acho
Passo ao
meu lado
entre escuros
e claros
Me acho
brando
um tanto
desesperado
Ali
perto de mim
abandonado
Comigo
sozinho
passeiam
coisas:
pedra
pau
algodão
doce
Encontro
dentro
de mim
dejetos
restos
fragmentados
do que não
fiz
e quis fazer
do que
fiz
e não quis
fazer
Um emaranhado
teia
fecunda
de restos
mastigados

Foi o tempo
dos pensamentos
presos
freados
Impediu
arrastou
pisou em
desejos
elaborados
Retornados
na ausência
fecunda
dos pensamentos
reciclados
Acordei!
alvo e firme
me deixei
conformado.

passagem

foto_7

Já disse o Poeta “mentiras sinceras me interessam.”(Cazuza)

Sinceridade
falsa
vem de fora
vem dos outros
Desconhecida
nossa
aprendida
insiste
e por amor
resiste
Se instala
intrometida
fala
fala
fala
Não diz nada
da gente que fala
finge a gente
sendo insistente
Aprendida
como A B C
Repetida
como 2 + 2
uma hora
falha
escorrega
se espalha
Virando PLÁSTICO DE VIDRO
Engana
quem ouve
Atrapalha
quem vê
Machuca
quem sente
Sinceridade
falsa
pungente
ela dilacera
o coração
da gente
que mente
mente
mente
Com respostas
tortas
idiotas
são lorotas

Eu tenho pra mim
que desisti
de ser assim
E dói
Dói
porque rói
a mentira
que aprendi
Deixa a
verdade
aparente
indecente
resistente
machucando
gente
que não
entende
que a gente
só é gente
quando
a verdade
da gente
se põe
na frente.