passagem

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Já disse o Poeta “mentiras sinceras me interessam.”(Cazuza)

Sinceridade
falsa
vem de fora
vem dos outros
Desconhecida
nossa
aprendida
insiste
e por amor
resiste
Se instala
intrometida
fala
fala
fala
Não diz nada
da gente que fala
finge a gente
sendo insistente
Aprendida
como A B C
Repetida
como 2 + 2
uma hora
falha
escorrega
se espalha
Virando PLÁSTICO DE VIDRO
Engana
quem ouve
Atrapalha
quem vê
Machuca
quem sente
Sinceridade
falsa
pungente
ela dilacera
o coração
da gente
que mente
mente
mente
Com respostas
tortas
idiotas
são lorotas

Eu tenho pra mim
que desisti
de ser assim
E dói
Dói
porque rói
a mentira
que aprendi
Deixa a
verdade
aparente
indecente
resistente
machucando
gente
que não
entende
que a gente
só é gente
quando
a verdade
da gente
se põe
na frente.

pintada

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Não tive tempo
de te decifrar
Foi como o pó
que se desfez no ar
Foi como a aurora
que brotou na água do mar
acendendo teu olhar
Nos devaneios
pronta
Os olhos pintados,
derramados
com lágrimas
reviradas do sal
da água do mar,
congelou,
Mudou a saia
Mudou a blusa
Mudou o batom
e até o dom se destacou
Mudou o corpo
Mudou o rosto
Mudou o gosto
e até o sorriso imposto
se transformou
O sol da hora
que anos ardeu
arrastou os tempos
das ilusões presas
para lá
Veio cantando
acabou caindo
se pos falando
ate encontrar
o seu lugar
Ela ficou,
Chegou
branda
cativa
alta
impondo cores
amarelo
no azul passado
das águas
que tanto
guardou o seu
olhar.
No amarelo ouro
da aurora,
brilhou
com olhos
faiscantes
sem palavras,
nenhuma
poderia dizê-la.

castigo

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VEM CÁ
VEM PRA CÁ
Me engana
diz que me ama
Traz ÁGUA
pra molhar
a secura
da minha
terra estéril
Sem verde
Aduba meus
ouvidos
com sentidos
cheiros
odores
Quero flores
derramando
pétalas
no queixo
quadrado
deixando o
cheiro
vermelho
encarnado
de carinho
de vento fraco
assoprando
enquanto
caem
indecentes
textos
pra ouvir
Sou pura
mentira
Preciso
que a verdade
saia
de saia
rodada
arrancando
as pegadas
das ilusões
marcadas
com águas de mãe
A mãe foi só ela
As outras
putas
alegres
coloridas
donas
damas
do prazer
que nunca tive
porque
feri
a jura
de que
seria
somente
tua.

melancia

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Melancia
companhia
suculenta
Do vermelho
mastigado
pelo dente
branco
triturador
de sonhos
pequenos
delirantes
Do vermelho
com pingos
do preto,
semente
grelada
produtiva
da melancia
suculenta
apontando
que alimenta
de água
doce
doce
doce
pra sentir
o sabor
doce
de sonhos
viajados
na imaginação
soberba
assustada
necessitada
de cores
sabores
odores
marcado
do amor
vivido
saboreado
terminado
ressentido.

meu tempo é hoje

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Os meus o tempo está levando,
eu, estou aqui pra ti,
tu, prosseguiras por um tempo
carregando dentro
os meus, eu e tu.
Passo o tempo limpando,
acabando com pensamentos,
dissolvendo benefícios plenos
arrumados pra desculpar.
Passo e arrumo o tempo,
que foge voando lento,
pelo meio dos lamentos,
interrompendo intentos,
derrubando elementos,
evaporando planos plenos.
Ele acena do alto que passa,
informa a todos que basta,
gasta nas horas, nos dias,
nas curvas e retornos
o espaço percorrido torto,
apaziguado pelos confortos.
Não fiques arrumando tudo,
um dia ele bastará, e sisudo,
te dirá que resolveu passar,
porque passa.
Te dirá que a vida cessou,
porque basta.
Te dirá que a dor acabou,
porque cessa.
Te dirá que o amor ficou,
porque presta.
Ainda que discutam seu espichamento,
propaguem seu estiramento,
ele cai sereno e lindo,
pequenino e luminoso,
riscado pela história de seu rastro,
firme e marcado.
Pra ti, meu amor, que digo
Para confirmar minha presença em ti,
na ausência de meu ar te sacudindo,
soprando em teus ouvidos o meu amor
oferecido.
Permanente contigo,
para sempre contigo.

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Era lá. Atrás de um azul
com as nuvens brancas ao redor
apontando a mediocridade
escondida pela vida,
que boiava a saudade distante
dos meus planos,
Planos plenos de satisfação,
audaciosos, afetivos, educados e atentos,
eles voltavam fortes e rígidos de rancor
cobrando a responsabilidade de existirem.
Gritavam por terem sido alimentados,
cuidados, acarinhados e abandonados.
Cobravam pelo esquecimento
sentido em suas bocas amarradas
no orgulho e na distração de uma
vida desviada do caminho.
Perseguidor sonhos,
eis de volta, a minha sina
contra o abandono.
Ela vinha atormentada pelo
som das músicas suaves que distraíram
seu destino.
Grandes Castelos foram construídos
e ruíram na ventania do descaso,
arruinaram-se jogados do alto,
sem que pudessem junta-los.
O medo passou a me temer,
tive o retorno da esperança
acordando minha recordação,
cobrando promessas com o dobro da dor
que sentia ao planejar o sossego.
Quero ler os sonhos escritos mais uma vez,
decorar o texto, entender a mensagem.
Preciso reviver os pequenos sonhos quebrados
com os pedaços pontiagudos espetando meu orgulho.
Eles acordaram,
gritaram na escuridão
soprando um feixe de luz tênue e fraco
que refrescaram a minha solidão.
Essa solidão erguida na vã tentativa
de que a companhia pudesse com seu calor,
aplacar o temor do desamparo devastador
que todos insistem em deixar cair.