castigo

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VEM CÁ
VEM PRA CÁ
Me engana
diz que me ama
Traz ÁGUA
pra molhar
a secura
da minha
terra estéril
Sem verde
Aduba meus
ouvidos
com sentidos
cheiros
odores
Quero flores
derramando
pétalas
no queixo
quadrado
deixando o
cheiro
vermelho
encarnado
de carinho
de vento fraco
assoprando
enquanto
caem
indecentes
textos
pra ouvir
Sou pura
mentira
Preciso
que a verdade
saia
de saia
rodada
arrancando
as pegadas
das ilusões
marcadas
com águas de mãe
A mãe foi só ela
As outras
putas
alegres
coloridas
donas
damas
do prazer
que nunca tive
porque
feri
a jura
de que
seria
somente
tua.

melancia

agisjunior_114

Melancia
companhia
suculenta
Do vermelho
mastigado
pelo dente
branco
triturador
de sonhos
pequenos
delirantes
Do vermelho
com pingos
do preto,
semente
grelada
produtiva
da melancia
suculenta
apontando
que alimenta
de água
doce
doce
doce
pra sentir
o sabor
doce
de sonhos
viajados
na imaginação
soberba
assustada
necessitada
de cores
sabores
odores
marcado
do amor
vivido
saboreado
terminado
ressentido.

meu tempo é hoje

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Os meus o tempo está levando,
eu, estou aqui pra ti,
tu, prosseguiras por um tempo
carregando dentro
os meus, eu e tu.
Passo o tempo limpando,
acabando com pensamentos,
dissolvendo benefícios plenos
arrumados pra desculpar.
Passo e arrumo o tempo,
que foge voando lento,
pelo meio dos lamentos,
interrompendo intentos,
derrubando elementos,
evaporando planos plenos.
Ele acena do alto que passa,
informa a todos que basta,
gasta nas horas, nos dias,
nas curvas e retornos
o espaço percorrido torto,
apaziguado pelos confortos.
Não fiques arrumando tudo,
um dia ele bastará, e sisudo,
te dirá que resolveu passar,
porque passa.
Te dirá que a vida cessou,
porque basta.
Te dirá que a dor acabou,
porque cessa.
Te dirá que o amor ficou,
porque presta.
Ainda que discutam seu espichamento,
propaguem seu estiramento,
ele cai sereno e lindo,
pequenino e luminoso,
riscado pela história de seu rastro,
firme e marcado.
Pra ti, meu amor, que digo
Para confirmar minha presença em ti,
na ausência de meu ar te sacudindo,
soprando em teus ouvidos o meu amor
oferecido.
Permanente contigo,
para sempre contigo.

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Era lá. Atrás de um azul
com as nuvens brancas ao redor
apontando a mediocridade
escondida pela vida,
que boiava a saudade distante
dos meus planos,
Planos plenos de satisfação,
audaciosos, afetivos, educados e atentos,
eles voltavam fortes e rígidos de rancor
cobrando a responsabilidade de existirem.
Gritavam por terem sido alimentados,
cuidados, acarinhados e abandonados.
Cobravam pelo esquecimento
sentido em suas bocas amarradas
no orgulho e na distração de uma
vida desviada do caminho.
Perseguidor sonhos,
eis de volta, a minha sina
contra o abandono.
Ela vinha atormentada pelo
som das músicas suaves que distraíram
seu destino.
Grandes Castelos foram construídos
e ruíram na ventania do descaso,
arruinaram-se jogados do alto,
sem que pudessem junta-los.
O medo passou a me temer,
tive o retorno da esperança
acordando minha recordação,
cobrando promessas com o dobro da dor
que sentia ao planejar o sossego.
Quero ler os sonhos escritos mais uma vez,
decorar o texto, entender a mensagem.
Preciso reviver os pequenos sonhos quebrados
com os pedaços pontiagudos espetando meu orgulho.
Eles acordaram,
gritaram na escuridão
soprando um feixe de luz tênue e fraco
que refrescaram a minha solidão.
Essa solidão erguida na vã tentativa
de que a companhia pudesse com seu calor,
aplacar o temor do desamparo devastador
que todos insistem em deixar cair.

catarse

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Em mim mora um outro,
alto, altaneiro, petulante,
perseguidor e intrometido,
ele sobrevoa minhas intenções
arrasta planos, destrói possibilidades.
Imita minha voz, se apodera do meu corpo
e me finge tão perfeitamente que até
a mim confunde.
Esse outro, escuso e disfarçado, empurra escadas,
desequilibra pretenções,
põe tudo no fogo, queima, faz brasa vermelha
incandescente
e logo vira cinza preta  voando pelo ar.
Eu cativo, entregue e paralisado me vejo pairar
sobre o que planejei, perco-me no ar, brando
e entregue ao que não sei.
Visito sonhos, apanho alguns que gostei,
torno a saborea-los, sinto suas intensidades,
e logo eles voam no ar e se perdem no tempo.
Vejo algum que prometi amor, aquele amor
que refresca as roupas com o suor da insegurança,
revivo seu corpo, passeio por ele tateando
sua textura macia, leve como a pena, daquela
leveza que só o amor bem sentido pode ter,
sinto o sabor da sua saliva doce como mel de flores,
e o cheiro de seu hálito quente, sinto até
o enrolar de sua lingua na minha procurando
cantos para se acomodar e impedir a vazão de palavras,
sim! as palavras tornam-se desnecessárias,
o amor precisa do olhar, da descrição dos detalhes
do rosto, da sensação tátil dos pêlos arrepiados,
da impressão na memória de sua cor, seu cheiro,
seu sabor.
logo, tudo voa como a cinza em direção a água.
Atropelo-me em pequenas cenas, relâmpagos
de recordações, flashs ligeiros de elementos
que vi mas não senti.
Encontro ferros elétricos de cabo vermelho,
ovo frito na água, cheiro de perfume de ervas,
flores azedas que se chupa, pintinho saindo do ovo,
amor incondicional, beijos de mãe.
De repente, tudo se esvai com vento forte
e as cinzas se espalham levando meus pedaços
para onde eu não sei, me vejo, entre tantos
perdido com os pedaços desarrumados,
espalhados por outros que nunca vi.
Eu lá parado, inerte, sem locomoção,
assistindo minhas partes assediadas,
sem ação, sem opinião, acordo
vejo que ele foi embora com os meus passos,
alto como veio, sem me salvar
sinto o aqui de novo
grande e demarcado pela crueza
do encontro com a realidade.
Eu quero ter lucidez para reconhecer
que algumas coisas é só sensação.

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Não me arrepio com o frio,
sinto a necessidade abrangente
da tua presença passada.
Agora, aqui, dentro das minhas estruturas.
Preciso das temperaturas baixas que
congelem meu dom da recordação,
as que estanquem a fuga das sensações
da tua mão sobre a minha pele,
amassando e apalpando.
Sim! Quero sentir tudo que mereci,
minha negação, meu medo, o arroubo
frouxo da minha resistência
se dissolvendo nos toques dos teus
dedos sobre a minha pele molhada de
desejo.
Dispenso o eco dos sons das palavras
que prometem, quero somente o silêncio
do clima do amor carnal que solicita
pouco, apenas mão e boca.
Preciso somente dessa repetição
incessante e inadequada aos puros,
desse retorno de sentimentos que
cegam de tanto prazer proibido.
Estimo essas obscenas sensações
que me tiram do chão e favorecem
os voos fecundos da imaginação.
Sensações que  levam aos paraísos
perdidos que não ficaram e que se
encontram presos na impressão digital
que pulsa na minha pele sedenta.
Necessito disso, dessas proibições
que as leis castigam, desse generoso
pensamento que brota fazendo o
retorno para onde eu nunca deveria
ter saído.
Pensamentos que congelam em meu corpo
o teu toque profano e acionam o sinal
que dispara as sensações de encontro
a mim,
sempre que a dor do abandono

venha me visitar.