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Auto do Círio – 2016

Em sua trajetória de 22 anos O Auto do Círio vem confirmar o tripé acadêmico de ensino/pesquisa/ extensão sendo eleito objeto de pesquisa acadêmica em diversos trabalhos desenvolvidos nas instituições de ensino como denso e rico campo de estudos para a produção artístico-cultural da Amazônia.
Concebido como espetáculo itinerante, a céu aberto, multiforme, o Auto, enquanto forma cênica, baseia-se em manifestações ancestrais que ainda hoje sobrevivem em várias culturas e que misturam o popular com o erudito, a oração com a dança, a fé com a alegria, o crente com o ateu, o ribeirinho com o urbano e, assim, reitera o congraçamento e a possibilidade de convivência respeitosa e pacífica dos atores sociaisO Círio de Nazaré em suas diversas manifestações é uma espécie de respiro, de bálsamo, de catarse sobre a velocidade que o ritmo da vida contemporânea impõe a todos nós. (Fonte ufpa.br).

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máscara

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Aíla da TF

 

Chegou branco
corpo em desalinho
pensamento covarde
sem óleo nos engates
duro como rocha velha
no silêncio, escutou
Primeiro acorde monitorado
corpo reto emoldurado
Segundo acorde pingado
óleo lubrificante besuntado
corpo mole recatado
Terceiro acorde derramado
engate enferrujado ajustado
corpo fluido libertado
Ficou rubro
corpo coito excitado
vermelho sangue exagerado
pelos cantos derramado
O branco virou vermelho
o duro virou molejo
o óleo espirrou desejo
o pensamento virou ensejo
rasgou as grades se liberou
o rosto enrubesceu
a máscara esvaneceu
um outro apareceu
se pôs leve, deixou fluir
íntimo
escorregando no ritmo
liberou o humor do rubor,
dançou,
e rubro se convenceu
que a máscara foi
um sonho acordado
que desapareceu.

rosa incandescente

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Tenho bobagens importantes. Disse Clarice Lispector no livro Legião Estrangeira: “Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.”

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joelma kláudia: artista paraense

sabem aquelas pessoas que você olha e deseja irresistivelmente fotografar? assim foi com a Joelma. olhei e fui capturado. pedi à ela. ela gentilmente aceitou e imediatamente improvisamos e criamos essas, que para mim, são lindas imagens. obrigado querida. quero repetir!

devaneios azuis

minha vida é impregnada de memórias. meu olhar reservou um acervo gigantesco de imagens. não há palavras para dizer delas, elas não exprimem o que eu vejo. nem que eu junte todas as palavras que aprendi não conseguirei descrever o turbilhão de ideias que guardo a cada momento que contemplo.

minha loucura interior é resguardada pela minha observação e pela constatação absoluta de que minhas opiniões não mudam nada. o silencio de minha voz se volta pra dentro. prefiro falar com os olhos. ignorantemente mudo de palavras.

expressões: nascente em chamas

“nascente em chamas” dramatiza o aprendizado da Mariana, uma dançarina nacional que volta as ruas estreitas da aldeia onde se criou, reconhecendo nada. ela desce à margem do rio tocantins, e caindo num vinco de memória, vivencia a história oculta da Amazônia e a futura seca violenta. se refugiando nas águas tóxicas do rio, Mariana se liga, e sensibilizada, se transforma em símbolo poético de alerta.