Arquivo da tag: Brasil

máscara

foto_7

Aíla da TF

 

Chegou branco
corpo em desalinho
pensamento covarde
sem óleo nos engates
duro como rocha velha
no silêncio, escutou
Primeiro acorde monitorado
corpo reto emoldurado
Segundo acorde pingado
óleo lubrificante besuntado
corpo mole recatado
Terceiro acorde derramado
engate enferrujado ajustado
corpo fluido libertado
Ficou rubro
corpo coito excitado
vermelho sangue exagerado
pelos cantos derramado
O branco virou vermelho
o duro virou molejo
o óleo espirrou desejo
o pensamento virou ensejo
rasgou as grades se liberou
o rosto enrubesceu
a máscara esvaneceu
um outro apareceu
se pôs leve, deixou fluir
íntimo
escorregando no ritmo
liberou o humor do rubor,
dançou,
e rubro se convenceu
que a máscara foi
um sonho acordado
que desapareceu.

rosa incandescente

foto_2

Tenho bobagens importantes. Disse Clarice Lispector no livro Legião Estrangeira: “Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.”

Continuar lendo

moça

 

foto_248

moça

 

Moça, tua saia é linda
mas muito mais linda
que a tua saia
é o teu palavreado.
Moça, teus olhos traduzem,
mas as letras que teus olhos cospem
clareiam teus gestos escondidos
com a tua fala firme,
e eles, ainda que afoitos e verdes,
tornam-se fortes e irradiantes.
Moça, teu cabelo é suave
voa nos ventos fortes,
se espalha pelo meio,
eles são a tua cortina
que esconde o teu semblante
transparente
que protege a tua feição
atraente
Teu gesto é honrado, moça!
tua boniteza não aprende
ela pode ser contente
mas, tu moça
es mais que somente dentes
es fruto verde e maciço
cercado de nutrientes
e beneficios imponentes
aos teus fieis penitentes.
Moça tu es a força
da beleza que aparece
pra todo o mundo ver
mas só quem te conhece
desfruta de tamanho saber.
Senta aqui, conversa agora
conta de ti, mas
apenas conta
e mantém cativo
aos teus íntimos
teu gesto repleto
de exuberância e lealdade.

 

palavras

foto_150

palavras

 

Não escrevo porque quero
escrevo porque preciso
preciso irrigar meus neurônios
preciso arejar minhas células
palavras são águas cristalinas
atravessam caminhos forçando
passagem.
Elas se soltam de seus lugares
vagam livremente sem sentido
correm pela inteligência
caem, levantam, atropelam
arrebentam frases
entopem interpretações
entulham observações.
As palavras são traiçoeiras
mentem, dissimulam, transgridem
viajam por lugares estranhos
estacionam, se confrontam
se batem.
As minhas palavras fingem
dissimulam minha lealdade
me enganam
me desafiam
me paralisam
sou carregado de palavras levianas
que blasfemam no meu ouvido
remetem o esquecido, eu lembro
acordam o perdoado, eu sinto raiva
renovam o aborrecido, eu ressinto
elas me testam incessantemente
me colocam pedras
arames farpados
escuridão
Elas caminham por mim
simulando uma falsa suavidade
me escrevem textos obscuros
impublicáveis, desconexos
que preciso endireitar.
Palavras são assim:
traidoras
traiçoeiras
trépidas
Minhas palavras são o esforço de meu raciocínio
causam furor quando chegam
então…
eu as apanho no chão
quebro as pedra com as mãos
deixo o sangue escorrer
vejo o vermelho dançando
olho fixamente para ele
até as lágrimas derramarem
as palavras que consegui recolher.
É assim que sigo
desafiando palavras
até que consiga com um sentido
estancar seu derramamento.