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Não me arrepio com o frio,
sinto a necessidade abrangente
da tua presença passada.
Agora, aqui, dentro das minhas estruturas.
Preciso das temperaturas baixas que
congelem meu dom da recordação,
as que estanquem a fuga das sensações
da tua mão sobre a minha pele,
amassando e apalpando.
Sim! Quero sentir tudo que mereci,
minha negação, meu medo, o arroubo
frouxo da minha resistência
se dissolvendo nos toques dos teus
dedos sobre a minha pele molhada de
desejo.
Dispenso o eco dos sons das palavras
que prometem, quero somente o silêncio
do clima do amor carnal que solicita
pouco, apenas mão e boca.
Preciso somente dessa repetição
incessante e inadequada aos puros,
desse retorno de sentimentos que
cegam de tanto prazer proibido.
Estimo essas obscenas sensações
que me tiram do chão e favorecem
os voos fecundos da imaginação.
Sensações que  levam aos paraísos
perdidos que não ficaram e que se
encontram presos na impressão digital
que pulsa na minha pele sedenta.
Necessito disso, dessas proibições
que as leis castigam, desse generoso
pensamento que brota fazendo o
retorno para onde eu nunca deveria
ter saído.
Pensamentos que congelam em meu corpo
o teu toque profano e acionam o sinal
que dispara as sensações de encontro
a mim,
sempre que a dor do abandono

venha me visitar.

Maria da lua

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Maria da Lua

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois do laranja do final da tarde
quero Lua amarela delicada
resplandecente!
rasgando a noite preta e pesada
completamente
invadindo a escuridão
gritando absolutamente
e lentamente o meu nome.
Quero que a Lua me recorde
as promessas, os agradecimentos, os louvores
que diante dela fiz, enaltecendo os meus amores
Oh Lua enfeitiçada, vem habitar minha fantasia
transforma em bordados delicados meus pedidos
entrega todos ã Maria.
Diz pra ela que estou aqui
do jeito que ela me deixou
sorriso manso
olhar profundo
animo exaltado
mas aberto, totalmente calmo
novamente disposto em acolher em meu seio
seu amor simples e genuíno.
Diz a Maria, Lua querida
que eu cresci em meio aos
terrenos dessa vida
as vezes férteis
as vezes áridos
mas que estou novamente inteiro e remendado
cumprindo o que prometi
não esquece, Lua querida, de avisa-la
que ainda hoje diante da tarde laranja
retrocedi
lembrei das noites mágicas
entre cânticos e embalos
as palavras simples que aprendi.
Avisa também que tudo está comigo
pleno e forte como ela deixou
e que os laranjas de varias tardes
vão sempre me trazer coisas
que o tempo guardou.

palavras

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palavras

 

Não escrevo porque quero
escrevo porque preciso
preciso irrigar meus neurônios
preciso arejar minhas células
palavras são águas cristalinas
atravessam caminhos forçando
passagem.
Elas se soltam de seus lugares
vagam livremente sem sentido
correm pela inteligência
caem, levantam, atropelam
arrebentam frases
entopem interpretações
entulham observações.
As palavras são traiçoeiras
mentem, dissimulam, transgridem
viajam por lugares estranhos
estacionam, se confrontam
se batem.
As minhas palavras fingem
dissimulam minha lealdade
me enganam
me desafiam
me paralisam
sou carregado de palavras levianas
que blasfemam no meu ouvido
remetem o esquecido, eu lembro
acordam o perdoado, eu sinto raiva
renovam o aborrecido, eu ressinto
elas me testam incessantemente
me colocam pedras
arames farpados
escuridão
Elas caminham por mim
simulando uma falsa suavidade
me escrevem textos obscuros
impublicáveis, desconexos
que preciso endireitar.
Palavras são assim:
traidoras
traiçoeiras
trépidas
Minhas palavras são o esforço de meu raciocínio
causam furor quando chegam
então…
eu as apanho no chão
quebro as pedra com as mãos
deixo o sangue escorrer
vejo o vermelho dançando
olho fixamente para ele
até as lágrimas derramarem
as palavras que consegui recolher.
É assim que sigo
desafiando palavras
até que consiga com um sentido
estancar seu derramamento.

inutilidades

inutilidades

 

Inutilidades, mas para que?
para ver.
mas dizer o que ao ver?
nada, o silêncio diz pra dentro.
O que fazer com que se vê?
recorda-se.
rememora-se.
O que restará disso?
cores, formas, texturas, pedaços
também recordações
de um tempo
de um momento
de uma alegria
de uma admiração
de um oficio
de uma utilidade
O que é inútil um dia foi  útil.
um vidro de perfume vazio já foi cheio
uma caneta sem tinta já escreveu
um amor esquecido já preencheu
O inútil resgatado ocupa o vazio deixado
por um útil desgastado pelo tempo.

estranho

o estranho afasta as certezas pra longe do controle. deixa o homem livre para encontrar o susto. derruba convicções. reverte palpites. coloca interrogações que podem não  ser respondidas nunca. ensina a convivência com o inusitado. impõe a valentia e a coragem. como eu gosto daquilo que eu não sei o que é! daquilo que desconheço mas que meu olhar alcança.

a bahia te espera…

oh! Bahia da magia dos feitiços e da fé. Bahia que tem tanta igreja  e tem tanto candomblé

                                                                                                                                                 Dorival Caymmi