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moça

 

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moça

 

Moça, tua saia é linda
mas muito mais linda
que a tua saia
é o teu palavreado.
Moça, teus olhos traduzem,
mas as letras que teus olhos cospem
clareiam teus gestos escondidos
com a tua fala firme,
e eles, ainda que afoitos e verdes,
tornam-se fortes e irradiantes.
Moça, teu cabelo é suave
voa nos ventos fortes,
se espalha pelo meio,
eles são a tua cortina
que esconde o teu semblante
transparente
que protege a tua feição
atraente
Teu gesto é honrado, moça!
tua boniteza não aprende
ela pode ser contente
mas, tu moça
es mais que somente dentes
es fruto verde e maciço
cercado de nutrientes
e beneficios imponentes
aos teus fieis penitentes.
Moça tu es a força
da beleza que aparece
pra todo o mundo ver
mas só quem te conhece
desfruta de tamanho saber.
Senta aqui, conversa agora
conta de ti, mas
apenas conta
e mantém cativo
aos teus íntimos
teu gesto repleto
de exuberância e lealdade.

 

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uma garota
um garoto
olham-se

um garoto
e outro garoto
querem-se

uma garota
e outra garota
enrolam-se

o amor reage
o amor acode
o amor concede

o amor não prefere
o amor não esconde
o amor não protesta

amor quando é amor deve.
quem reclama é o desamor!

Maria da lua

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Maria da Lua

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois do laranja do final da tarde
quero Lua amarela delicada
resplandecente!
rasgando a noite preta e pesada
completamente
invadindo a escuridão
gritando absolutamente
e lentamente o meu nome.
Quero que a Lua me recorde
as promessas, os agradecimentos, os louvores
que diante dela fiz, enaltecendo os meus amores
Oh Lua enfeitiçada, vem habitar minha fantasia
transforma em bordados delicados meus pedidos
entrega todos ã Maria.
Diz pra ela que estou aqui
do jeito que ela me deixou
sorriso manso
olhar profundo
animo exaltado
mas aberto, totalmente calmo
novamente disposto em acolher em meu seio
seu amor simples e genuíno.
Diz a Maria, Lua querida
que eu cresci em meio aos
terrenos dessa vida
as vezes férteis
as vezes áridos
mas que estou novamente inteiro e remendado
cumprindo o que prometi
não esquece, Lua querida, de avisa-la
que ainda hoje diante da tarde laranja
retrocedi
lembrei das noites mágicas
entre cânticos e embalos
as palavras simples que aprendi.
Avisa também que tudo está comigo
pleno e forte como ela deixou
e que os laranjas de varias tardes
vão sempre me trazer coisas
que o tempo guardou.

palavras

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palavras

 

Não escrevo porque quero
escrevo porque preciso
preciso irrigar meus neurônios
preciso arejar minhas células
palavras são águas cristalinas
atravessam caminhos forçando
passagem.
Elas se soltam de seus lugares
vagam livremente sem sentido
correm pela inteligência
caem, levantam, atropelam
arrebentam frases
entopem interpretações
entulham observações.
As palavras são traiçoeiras
mentem, dissimulam, transgridem
viajam por lugares estranhos
estacionam, se confrontam
se batem.
As minhas palavras fingem
dissimulam minha lealdade
me enganam
me desafiam
me paralisam
sou carregado de palavras levianas
que blasfemam no meu ouvido
remetem o esquecido, eu lembro
acordam o perdoado, eu sinto raiva
renovam o aborrecido, eu ressinto
elas me testam incessantemente
me colocam pedras
arames farpados
escuridão
Elas caminham por mim
simulando uma falsa suavidade
me escrevem textos obscuros
impublicáveis, desconexos
que preciso endireitar.
Palavras são assim:
traidoras
traiçoeiras
trépidas
Minhas palavras são o esforço de meu raciocínio
causam furor quando chegam
então…
eu as apanho no chão
quebro as pedra com as mãos
deixo o sangue escorrer
vejo o vermelho dançando
olho fixamente para ele
até as lágrimas derramarem
as palavras que consegui recolher.
É assim que sigo
desafiando palavras
até que consiga com um sentido
estancar seu derramamento.