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Maria da lua

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Maria da Lua

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois do laranja do final da tarde
quero Lua amarela delicada
resplandecente!
rasgando a noite preta e pesada
completamente
invadindo a escuridão
gritando absolutamente
e lentamente o meu nome.
Quero que a Lua me recorde
as promessas, os agradecimentos, os louvores
que diante dela fiz, enaltecendo os meus amores
Oh Lua enfeitiçada, vem habitar minha fantasia
transforma em bordados delicados meus pedidos
entrega todos ã Maria.
Diz pra ela que estou aqui
do jeito que ela me deixou
sorriso manso
olhar profundo
animo exaltado
mas aberto, totalmente calmo
novamente disposto em acolher em meu seio
seu amor simples e genuíno.
Diz a Maria, Lua querida
que eu cresci em meio aos
terrenos dessa vida
as vezes férteis
as vezes áridos
mas que estou novamente inteiro e remendado
cumprindo o que prometi
não esquece, Lua querida, de avisa-la
que ainda hoje diante da tarde laranja
retrocedi
lembrei das noites mágicas
entre cânticos e embalos
as palavras simples que aprendi.
Avisa também que tudo está comigo
pleno e forte como ela deixou
e que os laranjas de varias tardes
vão sempre me trazer coisas
que o tempo guardou.

poesia suja

foto_69

Há tanta “descontribuição”por aqui
Tantos pensamentos mofados, contaminados por venenos internos
Tantas frases imprestáveis que nada dizem
e que só abarrotam um monte de letras inúteis e perdidas
Tanto vazio exposto, excessos de “deverias”, de “poderias”que minam
os olhos de quem vê
dando a prova cabal de tantas “irrealizações”
Não dá pra dizer, mas tem que dizer
Aguentem com o desejo de vocês! Por favor
as palavras pingam, extravasam, vão furar o tempo
suportem o amargor da vida com dignidade, eu peço!
saboreiem o fel como se fosse sorvete de chocolate
absorvam o ar putrido e fedorento como se fossem jasmins
forjem pensamentos admiráveis como se ouvissem uma doce melodia
se enganem para o bem
E reconheçam que a maldade que escorre de vossas bocas
podem ser trocadas por flores coloridas
é preciso aceitar, senão elas apodrecem dentro de vocês
causando D E V A S T A Ç Ã O
Já me livrei de tudo isso e não sou melhor por isso
SOFRI
Fui salvo pela realidade
encontrei com ela
falei sobre os mentirosos e hipócritas
sem acordos, eles implicam em submissão
em abandono de si
Podemos apenas perder sem doer, mas não…
o mundo de tão doente já apodreceu verde
nem floresceu ainda e já fede e exala sua decomposição
Ele precisa renascer do buraco negro dos enganos, das procrastinações
Ele precisa de ar puro para se renovar
Ele precisa de menos desculpas mentirosas
e de mais culpas verdadeiras
Choro junto com o mundo podre
Ele já fedeu
E eu?
Estou morrendo asfixiado em venenos que eu não planejei.

 

confissão

Eu escrevo  por amor
amor que sinto, antes por mim
Eu escrevo para desafogar residuos desgastados
pelo tempo que me flagelou
Eu escrevo pelo que senti
pelo que sinto e o que ainda sentirei
Eu escrevo para reviver, para reencontrar
para repisar
Eu escrevo nas minhas alegrias fáceis
nas minhas tristezas difíceis
Eu escrevo para me libertar de sentimentos atropelados
me encontrar comigo e me enxugar do pranto da covardia

Quando me molhei as águas eram brandas
calmas e acolhedoras
Quando me molhei depois fui encontrando
tempestades opulentas, impossíveis de contornar
Me salvei segurando um pau que me arrastou
e que me fez entender que é possível sim
viver

Viver, eis que chega a hora
hora negada, adiada, procrastinada
Hora necessária, mas temida
Hora desejada, mas recusada
Hora da vida que encerra em si coragem, destemor e bravura.
Sou bravo por ultrapassar a vida
Sou bravo por olhar a vida, por admirá-la
Sou bravo, mais que tudo por enfrenta-la
com sentimentos confortáveis
com a certeza de que as incertezas precisam fecundar
pois, só assim o caminho se abrira.