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pintada

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Não tive tempo
de te decifrar
Foi como o pó
que se desfez no ar
Foi como a aurora
que brotou na água do mar
acendendo teu olhar
Nos devaneios
pronta
Os olhos pintados,
derramados
com lágrimas
reviradas do sal
da água do mar,
congelou,
Mudou a saia
Mudou a blusa
Mudou o batom
e até o dom se destacou
Mudou o corpo
Mudou o rosto
Mudou o gosto
e até o sorriso imposto
se transformou
O sol da hora
que anos ardeu
arrastou os tempos
das ilusões presas
para lá
Veio cantando
acabou caindo
se pos falando
ate encontrar
o seu lugar
Ela ficou,
Chegou
branda
cativa
alta
impondo cores
amarelo
no azul passado
das águas
que tanto
guardou o seu
olhar.
No amarelo ouro
da aurora,
brilhou
com olhos
faiscantes
sem palavras,
nenhuma
poderia dizê-la.

castigo

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VEM CÁ
VEM PRA CÁ
Me engana
diz que me ama
Traz ÁGUA
pra molhar
a secura
da minha
terra estéril
Sem verde
Aduba meus
ouvidos
com sentidos
cheiros
odores
Quero flores
derramando
pétalas
no queixo
quadrado
deixando o
cheiro
vermelho
encarnado
de carinho
de vento fraco
assoprando
enquanto
caem
indecentes
textos
pra ouvir
Sou pura
mentira
Preciso
que a verdade
saia
de saia
rodada
arrancando
as pegadas
das ilusões
marcadas
com águas de mãe
A mãe foi só ela
As outras
putas
alegres
coloridas
donas
damas
do prazer
que nunca tive
porque
feri
a jura
de que
seria
somente
tua.

meu tempo é hoje

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Os meus o tempo está levando,
eu, estou aqui pra ti,
tu, prosseguiras por um tempo
carregando dentro
os meus, eu e tu.
Passo o tempo limpando,
acabando com pensamentos,
dissolvendo benefícios plenos
arrumados pra desculpar.
Passo e arrumo o tempo,
que foge voando lento,
pelo meio dos lamentos,
interrompendo intentos,
derrubando elementos,
evaporando planos plenos.
Ele acena do alto que passa,
informa a todos que basta,
gasta nas horas, nos dias,
nas curvas e retornos
o espaço percorrido torto,
apaziguado pelos confortos.
Não fiques arrumando tudo,
um dia ele bastará, e sisudo,
te dirá que resolveu passar,
porque passa.
Te dirá que a vida cessou,
porque basta.
Te dirá que a dor acabou,
porque cessa.
Te dirá que o amor ficou,
porque presta.
Ainda que discutam seu espichamento,
propaguem seu estiramento,
ele cai sereno e lindo,
pequenino e luminoso,
riscado pela história de seu rastro,
firme e marcado.
Pra ti, meu amor, que digo
Para confirmar minha presença em ti,
na ausência de meu ar te sacudindo,
soprando em teus ouvidos o meu amor
oferecido.
Permanente contigo,
para sempre contigo.

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Era lá. Atrás de um azul
com as nuvens brancas ao redor
apontando a mediocridade
escondida pela vida,
que boiava a saudade distante
dos meus planos,
Planos plenos de satisfação,
audaciosos, afetivos, educados e atentos,
eles voltavam fortes e rígidos de rancor
cobrando a responsabilidade de existirem.
Gritavam por terem sido alimentados,
cuidados, acarinhados e abandonados.
Cobravam pelo esquecimento
sentido em suas bocas amarradas
no orgulho e na distração de uma
vida desviada do caminho.
Perseguidor sonhos,
eis de volta, a minha sina
contra o abandono.
Ela vinha atormentada pelo
som das músicas suaves que distraíram
seu destino.
Grandes Castelos foram construídos
e ruíram na ventania do descaso,
arruinaram-se jogados do alto,
sem que pudessem junta-los.
O medo passou a me temer,
tive o retorno da esperança
acordando minha recordação,
cobrando promessas com o dobro da dor
que sentia ao planejar o sossego.
Quero ler os sonhos escritos mais uma vez,
decorar o texto, entender a mensagem.
Preciso reviver os pequenos sonhos quebrados
com os pedaços pontiagudos espetando meu orgulho.
Eles acordaram,
gritaram na escuridão
soprando um feixe de luz tênue e fraco
que refrescaram a minha solidão.
Essa solidão erguida na vã tentativa
de que a companhia pudesse com seu calor,
aplacar o temor do desamparo devastador
que todos insistem em deixar cair.

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Não me arrepio com o frio,
sinto a necessidade abrangente
da tua presença passada.
Agora, aqui, dentro das minhas estruturas.
Preciso das temperaturas baixas que
congelem meu dom da recordação,
as que estanquem a fuga das sensações
da tua mão sobre a minha pele,
amassando e apalpando.
Sim! Quero sentir tudo que mereci,
minha negação, meu medo, o arroubo
frouxo da minha resistência
se dissolvendo nos toques dos teus
dedos sobre a minha pele molhada de
desejo.
Dispenso o eco dos sons das palavras
que prometem, quero somente o silêncio
do clima do amor carnal que solicita
pouco, apenas mão e boca.
Preciso somente dessa repetição
incessante e inadequada aos puros,
desse retorno de sentimentos que
cegam de tanto prazer proibido.
Estimo essas obscenas sensações
que me tiram do chão e favorecem
os voos fecundos da imaginação.
Sensações que  levam aos paraísos
perdidos que não ficaram e que se
encontram presos na impressão digital
que pulsa na minha pele sedenta.
Necessito disso, dessas proibições
que as leis castigam, desse generoso
pensamento que brota fazendo o
retorno para onde eu nunca deveria
ter saído.
Pensamentos que congelam em meu corpo
o teu toque profano e acionam o sinal
que dispara as sensações de encontro
a mim,
sempre que a dor do abandono

venha me visitar.

alegria

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De noite é sempre assim,
a alegria vem me visitar.
Ela sempre chega embriagada
de entusiasmo e excitação,
Hoje ela chegou com as palavras recolhidas,
tímida e silenciosa.
Sentou, cruzou as pernas,
respirou, me olhou profundamente
e começou a falar.
Me contou da fartura do mundo
e me disse que chora com cegueira de seus habitantes,
chora como criança pequena pelos
perdidos olhares que tropeçam para dentro
por não verem o azul que as coisas têm.
Chora pelos pensamentos que pingam no chão
gastos pela repetição do que já foi,
tirando as marcas do que poderia ser melhor.
Ela contou sobre a tristeza das extensões,
das necessidades de prolongamento,
daquilo que era para ser só lá,
naquela hora, e que mesmo assim, nunca basta.
Ela me disse sobre os bobos,
sobre os necessitados do barulho,
sobre os que não se encontram e que
buscam, pelas vias que passam,
vozes que lhe gritem pelo nome,
Ela chorou pelos perdidos olhares suplicantes
por serem notados
para que lhe digam que existem.
Tropeçou em cambaleantes embriagados
de chá e café amargo,
tragados num bar qualquer,
de uma rua aleatória,
onde buscavam dividir pensamentos,
só encontraram a dor de si
a apagada dor mal sentida,
escondida entre falsos sorrisos,
nos armários e gavetas da consciência,
à espreita de um verdugo que passe
e acesse esse material amassado
e velho.
A alegria chorou, porque ri
lhe feria o contentamento.