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ela varia

ela varia

Não liguem
Ela varia
Ela pode ser dia
Uma clara calmaria
Ela pode ser fria
Uma nítida antipatia
Ela até pode ser noite
Uma clara escuridão
Sem mão nem clarão
Fechada e arisca
Ninguém
Se arrisca
Ela belisca, dói
Destrói o dia…
E mesmo sendo noite
Ela parece dia
É isso…
Ela varia
Ela pode ser rio
E até mar com maresia
Ela é poesia
Depende do dia
Ela varia
Ela até faria mar
mas voaria
E perturbaria
um dia de calmaria
Ela varia.

Osso

agisjunior 10

Parei de sentir
para frente
agora só ressinto
sinto agora

A idade tem disso
deixa tudo aqui
calculado no agora
espremido no resto
de tempo que há

O que foi
foi
e se não foi
não será mais agora
Saudade!

A saudade
dói num osso
esquecido
deixado de lado…

passagem

foto_7

Já disse o Poeta “mentiras sinceras me interessam.”(Cazuza)

Sinceridade
falsa
vem de fora
vem dos outros
Desconhecida
nossa
aprendida
insiste
e por amor
resiste
Se instala
intrometida
fala
fala
fala
Não diz nada
da gente que fala
finge a gente
sendo insistente
Aprendida
como A B C
Repetida
como 2 + 2
uma hora
falha
escorrega
se espalha
Virando PLÁSTICO DE VIDRO
Engana
quem ouve
Atrapalha
quem vê
Machuca
quem sente
Sinceridade
falsa
pungente
ela dilacera
o coração
da gente
que mente
mente
mente
Com respostas
tortas
idiotas
são lorotas

Eu tenho pra mim
que desisti
de ser assim
E dói
Dói
porque rói
a mentira
que aprendi
Deixa a
verdade
aparente
indecente
resistente
machucando
gente
que não
entende
que a gente
só é gente
quando
a verdade
da gente
se põe
na frente.

meu tempo é hoje

poema_1

Os meus o tempo está levando,
eu, estou aqui pra ti,
tu, prosseguiras por um tempo
carregando dentro
os meus, eu e tu.
Passo o tempo limpando,
acabando com pensamentos,
dissolvendo benefícios plenos
arrumados pra desculpar.
Passo e arrumo o tempo,
que foge voando lento,
pelo meio dos lamentos,
interrompendo intentos,
derrubando elementos,
evaporando planos plenos.
Ele acena do alto que passa,
informa a todos que basta,
gasta nas horas, nos dias,
nas curvas e retornos
o espaço percorrido torto,
apaziguado pelos confortos.
Não fiques arrumando tudo,
um dia ele bastará, e sisudo,
te dirá que resolveu passar,
porque passa.
Te dirá que a vida cessou,
porque basta.
Te dirá que a dor acabou,
porque cessa.
Te dirá que o amor ficou,
porque presta.
Ainda que discutam seu espichamento,
propaguem seu estiramento,
ele cai sereno e lindo,
pequenino e luminoso,
riscado pela história de seu rastro,
firme e marcado.
Pra ti, meu amor, que digo
Para confirmar minha presença em ti,
na ausência de meu ar te sacudindo,
soprando em teus ouvidos o meu amor
oferecido.
Permanente contigo,
para sempre contigo.

catarse

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Em mim mora um outro,
alto, altaneiro, petulante,
perseguidor e intrometido,
ele sobrevoa minhas intenções
arrasta planos, destrói possibilidades.
Imita minha voz, se apodera do meu corpo
e me finge tão perfeitamente que até
a mim confunde.
Esse outro, escuso e disfarçado, empurra escadas,
desequilibra pretenções,
põe tudo no fogo, queima, faz brasa vermelha
incandescente
e logo vira cinza preta  voando pelo ar.
Eu cativo, entregue e paralisado me vejo pairar
sobre o que planejei, perco-me no ar, brando
e entregue ao que não sei.
Visito sonhos, apanho alguns que gostei,
torno a saborea-los, sinto suas intensidades,
e logo eles voam no ar e se perdem no tempo.
Vejo algum que prometi amor, aquele amor
que refresca as roupas com o suor da insegurança,
revivo seu corpo, passeio por ele tateando
sua textura macia, leve como a pena, daquela
leveza que só o amor bem sentido pode ter,
sinto o sabor da sua saliva doce como mel de flores,
e o cheiro de seu hálito quente, sinto até
o enrolar de sua lingua na minha procurando
cantos para se acomodar e impedir a vazão de palavras,
sim! as palavras tornam-se desnecessárias,
o amor precisa do olhar, da descrição dos detalhes
do rosto, da sensação tátil dos pêlos arrepiados,
da impressão na memória de sua cor, seu cheiro,
seu sabor.
logo, tudo voa como a cinza em direção a água.
Atropelo-me em pequenas cenas, relâmpagos
de recordações, flashs ligeiros de elementos
que vi mas não senti.
Encontro ferros elétricos de cabo vermelho,
ovo frito na água, cheiro de perfume de ervas,
flores azedas que se chupa, pintinho saindo do ovo,
amor incondicional, beijos de mãe.
De repente, tudo se esvai com vento forte
e as cinzas se espalham levando meus pedaços
para onde eu não sei, me vejo, entre tantos
perdido com os pedaços desarrumados,
espalhados por outros que nunca vi.
Eu lá parado, inerte, sem locomoção,
assistindo minhas partes assediadas,
sem ação, sem opinião, acordo
vejo que ele foi embora com os meus passos,
alto como veio, sem me salvar
sinto o aqui de novo
grande e demarcado pela crueza
do encontro com a realidade.
Eu quero ter lucidez para reconhecer
que algumas coisas é só sensação.