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em desuso

tanque

 

 

 

 

 

 

 

 

Foi o tempo que me desgastou.
Já te recebi por aqui,
em mim molhado.
Com a calça suada,
com a blusa melada.
Já senti o sabor dos teus segredos.
O cheiro dos teus beijos já
escorreram pelas minhas águas
virgens e límpidas.
Molhei os restos do teu prazer,
misturei com sabão,
fiz espumas cremosas limparem
teus sonhos e as tuas decepções.
Te deixei alva e nova, recuperada,
pronta pra novas enxurradas.
Limpei como santa clara
os restos de tua carne usada,
revirada e remexida.
Apaguei os cheiros de teus sucos
derramados, as manchas de teu
prazer impregnado.
Desinfectei os odores que guardavas
escondido no fundo dos cestos
exalando os cheiros
das tuas noites de puro gozo.
Revigorei teus instantes,
requalifiquei teu semblante,
renovei teu sabor de agradável maciez.
Te deixei pronta,
para que te sentissem outra vez.
E eu, aqui e agora,
aberto e sozinho,
sentindo teu cheiro que o tempo
com seu desuso impregnou em mim.
Olho pra cima,
espero a água cair
pra escorrer as lembranças
pelo ralo.

velha cadeira

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Uma carreira inteira
deixo escorrer de mim.
Sou fraco de perseverança,
me sento em tempos
que eu queria que ficassem.
Quando eles passam por cima,
no arroubo de uma lembrança,
apanho-os pela ponta.
Sento na velha palha
e recordo os momentos
em que robustos sentimentos
me assaltaram com promessas
de eternidade.
Desperto pelo sopro de um
vento rápido que devolve
as lembranças pro seio das recordações.
Tudo permanece tal qual está agora,
seco, oco, real.
Ficou apenas a força
de um tempo em que a cadeira
compunha com as outras
uma vida farta de possíveis
fantasias.

vultos

Vejo
Vul/tos
Vul/gos
Vul/tos
Passantes
Passados
Passando
Da água
Que pinga
Pin/go
Pin/gado
Pin/gante
Do céu
Escon/dido
Encar/dido
Escal/dante
Na rua
Molh/ada
Ala/gada
Ca/lada
Apress/ada
Do azul
Anil
Que fugiu
Na água
Derra/mada
Transbor/dada
Amada
Desgas/tada
Par/ada
Parada

Auto do Círio – 2016

Em sua trajetória de 22 anos O Auto do Círio vem confirmar o tripé acadêmico de ensino/pesquisa/ extensão sendo eleito objeto de pesquisa acadêmica em diversos trabalhos desenvolvidos nas instituições de ensino como denso e rico campo de estudos para a produção artístico-cultural da Amazônia.
Concebido como espetáculo itinerante, a céu aberto, multiforme, o Auto, enquanto forma cênica, baseia-se em manifestações ancestrais que ainda hoje sobrevivem em várias culturas e que misturam o popular com o erudito, a oração com a dança, a fé com a alegria, o crente com o ateu, o ribeirinho com o urbano e, assim, reitera o congraçamento e a possibilidade de convivência respeitosa e pacífica dos atores sociaisO Círio de Nazaré em suas diversas manifestações é uma espécie de respiro, de bálsamo, de catarse sobre a velocidade que o ritmo da vida contemporânea impõe a todos nós. (Fonte ufpa.br).

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