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rubro

agisjunior 31

Auto retrato

Sou rubro
Sou o vermelho
do coração pingado
puro sangue derramado
entre gritos e papéis
trago o rubro medo
que me invadiu
que amassou minhas indigestas
tentativas de acordar
achando que eu era novo…
mais lucido
mais claro
mais transparente
O vento sopra para lá
arrasta a fraca luz
dos meus olhos
Fecho-os mareados
pelo alegre esquecimento
de minhas dores
Me acordo triste,
apalpo as dores
amacio o meu sofrer
sem ver que até
a dor que contei um dia
ficou rubra
encarnada
entupida
pelo vermelho
sequestrado de mim
naquele dia.
Nasci!
e por agora
estou rubro,
até no cinza
dos meus opacos
sentimentos…

engano

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A vela tremia. Era o vento.
O homem ardia sedento do amor guardado.
Pensamentos soltos vagavam por cima,
viajando pelos misteriosos lugares do
enfraquecido desejo,
disperso pelas mesmas vias, secas e tortas
de antes,
dissipado, entre perdidas misturas,
no caos dos pensamentos soltos.
Alguns amorteciam a fadiga da vida,
faziam afirmações,
atestavam as conveniências.
Outros encontravam-se com pequenas cenas,
ferro elétrico passando saias,
batons vermelhos,
cheiro de perfume francês
misturado a fumaça do cigarro,
música fina, suave do radinho de pilha.
Esse homem existia por dentro,
possuía um mundo secreto
de pitadas de outras cenas,
pequenas e desprezadas cenas,
anunciando a existência de uma vastidão
encoberta pela mentira da vida.
Uma vida forjada, encapada por
marcas e impedimentos.
Ele agora ali, parado,
esperando um sonho para apanhar.
Esperava que uma rajada de vento,
empurrasse um sonho apenas,
aquele que lhe trouxesse o amor.
Aquele amor experimentado uma só vez,
aquele procurado nos cantinhos
dos descaminhos da vida,
os vasculhados pelas rotas,
os caídos e quebrados.
E nem passou uma semana ainda,
o desejo continua sentado,
na cadeira estofada,
cansado de acordos.

rosa incandescente

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Tenho bobagens importantes. Disse Clarice Lispector no livro Legião Estrangeira: “Por que publicar o que não presta? Porque o que presta também não presta. Além do mais o que obviamente não presta sempre me interessou muito. Gosto do modo carinhoso do inacabado, daquilo que desajeitadamente tenta um pequeno voo e cai sem graça no chão.”

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moça

 

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moça

 

Moça, tua saia é linda
mas muito mais linda
que a tua saia
é o teu palavreado.
Moça, teus olhos traduzem,
mas as letras que teus olhos cospem
clareiam teus gestos escondidos
com a tua fala firme,
e eles, ainda que afoitos e verdes,
tornam-se fortes e irradiantes.
Moça, teu cabelo é suave
voa nos ventos fortes,
se espalha pelo meio,
eles são a tua cortina
que esconde o teu semblante
transparente
que protege a tua feição
atraente
Teu gesto é honrado, moça!
tua boniteza não aprende
ela pode ser contente
mas, tu moça
es mais que somente dentes
es fruto verde e maciço
cercado de nutrientes
e beneficios imponentes
aos teus fieis penitentes.
Moça tu es a força
da beleza que aparece
pra todo o mundo ver
mas só quem te conhece
desfruta de tamanho saber.
Senta aqui, conversa agora
conta de ti, mas
apenas conta
e mantém cativo
aos teus íntimos
teu gesto repleto
de exuberância e lealdade.

 

Maria da lua

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Maria da Lua

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Depois do laranja do final da tarde
quero Lua amarela delicada
resplandecente!
rasgando a noite preta e pesada
completamente
invadindo a escuridão
gritando absolutamente
e lentamente o meu nome.
Quero que a Lua me recorde
as promessas, os agradecimentos, os louvores
que diante dela fiz, enaltecendo os meus amores
Oh Lua enfeitiçada, vem habitar minha fantasia
transforma em bordados delicados meus pedidos
entrega todos ã Maria.
Diz pra ela que estou aqui
do jeito que ela me deixou
sorriso manso
olhar profundo
animo exaltado
mas aberto, totalmente calmo
novamente disposto em acolher em meu seio
seu amor simples e genuíno.
Diz a Maria, Lua querida
que eu cresci em meio aos
terrenos dessa vida
as vezes férteis
as vezes áridos
mas que estou novamente inteiro e remendado
cumprindo o que prometi
não esquece, Lua querida, de avisa-la
que ainda hoje diante da tarde laranja
retrocedi
lembrei das noites mágicas
entre cânticos e embalos
as palavras simples que aprendi.
Avisa também que tudo está comigo
pleno e forte como ela deixou
e que os laranjas de varias tardes
vão sempre me trazer coisas
que o tempo guardou.