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escondido

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eu fico triste com a tristeza
ela não quer ir embora
chega disfarçada e senta
achando que vai ficar
finge que não me olha
(pura indiferença…)
tenta me distrair com livros,
com músicas, com divagações.
Com histórias passadas
ela passa algumas a limpo,
faz retornar cenas
adormecidas, remove
esquecimentos, retorna
com ressentimentos.
(tenho ímpetos de otimismo)
e eu fico pensando que ela
se distraiu e foi-se
mas que nada,
logo ela aparece com a boca
pintada de vermelho e com
unhas que parecem garras
pontiagudas prontas
para espetar um indefeso
eu me encolho, fico tonto
me reviro
tento pensar em piadas
olho para cima, sinto dor
no canto do olho
me engano com minha fisiologia
débil de hoje
e me recordo que ja brinquei
com ela…
Lembro que há tempos atras
fiz ela sofrer. sim!
Eu vi a tristeza chorar
não tive pena dela
ela sofria porque
não me pegava, eu corria
rindo e fazia ela se cansar
até cair exausta
A tristeza se cansava de mim
mas ela esperou,
ela esperou eu brigar
com a minha alegria
ela esperou eu cansar…
E hoje eu estou aqui
com o rosto coberto
disfarçado do mundo
inquieto e indefeso
para ela não
me encontrar.

ela varia

ela varia

Não liguem
Ela varia
Ela pode ser dia
Uma clara calmaria
Ela pode ser fria
Uma nítida antipatia
Ela até pode ser noite
Uma clara escuridão
Sem mão nem clarão
Fechada e arisca
Ninguém
Se arrisca
Ela belisca, dói
Destrói o dia…
E mesmo sendo noite
Ela parece dia
É isso…
Ela varia
Ela pode ser rio
E até mar com maresia
Ela é poesia
Depende do dia
Ela varia
Ela até faria mar
mas voaria
E perturbaria
um dia de calmaria
Ela varia.

segredo

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Não quero a cara limpa
descarada
quero os segredos,
os desaparecidos,
rumores de um amor
esquecido
Quero os disfarces
dos encontros proibidos
e a dor da desesperança
de acordar sozinho
Quero o opaco na
minha visão
Pra ter a sorte
de na mansidão
te encontrar no escuro
dos lençóis brancos
demarcados ponto a ponto
desenhados do desejo
que te dediquei.
Quero uma vez mais
o abraço mais quente
e a tua boca ardente
a gritar…
A gritar por mim.
Sei que o amor
vai e vem
quero que o vem
te traga inteira
até a canseira
do meu orgasmo pleno
quero que o vai
te leve longe
e que o meu descanso
renove meu desejo
de te ter covarde,
saliente e indecente
repetindo sempre:
o meu amor não é teu
é meu
e ainda assim
te dou uma fagulha dele
para que acenda em ti
uma luz que te faça
repetir.
E eu repito
incessantemente
esse amor
que me acende.