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desabafo

poema_1

Sou um cachorro na frente do osso!
Ávido por satisfação
Me engano da completude todos os dias
Ela me sabota e eu me entrego ao engano
Depois…ela celebra sua partida
E eu enganado, com gostinho de vitória
Volto a viver mendigando
Aceitando migalhas.

Ainda não me passou pela cabeça
Que existem outras opções,
A de sentir o sofrimento e
deixar o querer pra lá
Num processo de iluminação repentina
Ele me diz que preciso correr
parar
refletir
até saber sentir que sua ausência
é eterna
Corro pra vida buscando
Ele se esconde de mim
e a cada minuto põe uma máscara diferente
sofro do engano dos que têm esperança
Amanheço querendo desistir
depois de ter sonhado e sentido
um pingo que fosse
de sua promessa cumprida,
mas no próximo instante
ele se apaga como chama
destruida pelo vento
Eu, desolado, prometo
deixar chegar em mim
os sabores do sofrimento.

segredo

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Não quero a cara limpa
descarada
quero os segredos,
os desaparecidos,
rumores de um amor
esquecido
Quero os disfarces
dos encontros proibidos
e a dor da desesperança
de acordar sozinho
Quero o opaco na
minha visão
Pra ter a sorte
de na mansidão
te encontrar no escuro
dos lençóis brancos
demarcados ponto a ponto
desenhados do desejo
que te dediquei.
Quero uma vez mais
o abraço mais quente
e a tua boca ardente
a gritar…
A gritar por mim.
Sei que o amor
vai e vem
quero que o vem
te traga inteira
até a canseira
do meu orgasmo pleno
quero que o vai
te leve longe
e que o meu descanso
renove meu desejo
de te ter covarde,
saliente e indecente
repetindo sempre:
o meu amor não é teu
é meu
e ainda assim
te dou uma fagulha dele
para que acenda em ti
uma luz que te faça
repetir.
E eu repito
incessantemente
esse amor
que me acende.

rubro

agisjunior 31

Auto retrato

Sou rubro
Sou o vermelho
do coração pingado
puro sangue derramado
entre gritos e papéis
trago o rubro medo
que me invadiu
que amassou minhas indigestas
tentativas de acordar
achando que eu era novo…
mais lucido
mais claro
mais transparente
O vento sopra para lá
arrasta a fraca luz
dos meus olhos
Fecho-os mareados
pelo alegre esquecimento
de minhas dores
Me acordo triste,
apalpo as dores
amacio o meu sofrer
sem ver que até
a dor que contei um dia
ficou rubra
encarnada
entupida
pelo vermelho
sequestrado de mim
naquele dia.
Nasci!
e por agora
estou rubro,
até no cinza
dos meus opacos
sentimentos…

velha cadeira

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Uma carreira inteira
deixo escorrer de mim.
Sou fraco de perseverança,
me sento em tempos
que eu queria que ficassem.
Quando eles passam por cima,
no arroubo de uma lembrança,
apanho-os pela ponta.
Sento na velha palha
e recordo os momentos
em que robustos sentimentos
me assaltaram com promessas
de eternidade.
Desperto pelo sopro de um
vento rápido que devolve
as lembranças pro seio das recordações.
Tudo permanece tal qual está agora,
seco, oco, real.
Ficou apenas a força
de um tempo em que a cadeira
compunha com as outras
uma vida farta de possíveis
fantasias.