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segredo

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Não quero a cara limpa
descarada
quero os segredos,
os desaparecidos,
rumores de um amor
esquecido
Quero os disfarces
dos encontros proibidos
e a dor da desesperança
de acordar sozinho
Quero o opaco na
minha visão
Pra ter a sorte
de na mansidão
te encontrar no escuro
dos lençóis brancos
demarcados ponto a ponto
desenhados do desejo
que te dediquei.
Quero uma vez mais
o abraço mais quente
e a tua boca ardente
a gritar…
A gritar por mim.
Sei que o amor
vai e vem
quero que o vem
te traga inteira
até a canseira
do meu orgasmo pleno
quero que o vai
te leve longe
e que o meu descanso
renove meu desejo
de te ter covarde,
saliente e indecente
repetindo sempre:
o meu amor não é teu
é meu
e ainda assim
te dou uma fagulha dele
para que acenda em ti
uma luz que te faça
repetir.
E eu repito
incessantemente
esse amor
que me acende.

Osso

agisjunior 10

Parei de sentir
para frente
agora só ressinto
sinto agora

A idade tem disso
deixa tudo aqui
calculado no agora
espremido no resto
de tempo que há

O que foi
foi
e se não foi
não será mais agora
Saudade!

A saudade
dói num osso
esquecido
deixado de lado…

Falo

agisjunior 8.jpg

Depois de tudo,
após cair a tarde
senti a dor do que não vivi

Sem saber sentir
me despi
e nu fiquei
com olhos fixos,
acesos
assistindo os fatos
me violentarem

Em cada fato
um falo
Em cada falo
uma fala
guardada na dor
disfarçada
da minha ignorância.

Gozei
dores
dissabores
amores…

um passional

AgisJunior_65

sinto que extrapolei. queimei dias com palavras que ao invés de sentidos, emitiam faíscas. palavras carregadas de veneno indigesto acumulado nas escutas e nos discursos de convencimento. em nada resultou. me desencantei. sofro, eu sei. sei também que atropelo meus pensamentos tentando justificar o castelo que ergui na minha mais pura obstinação. apanho de mim, eu mesmo me flagelo com cipoada espinhosa que forja uma aparência efêmera que só eu não acredito. finjo com maestria olhares benditos, palavras macias, gestos suaves. engano bem. mas não posso entregar os pontos. no meu mais puro intimo, acreditei. acreditei em salvação. acreditei em palavras de efeito. acreditei em promessas desnecessárias que os sons das palavras enfeitavam com uma pseudo verdade. me desfiz. estou esfarelado por dentro. a minha droga sou eu mesmo que produzo incessantemente com minha mente insana que insiste em emitir ideias estapafúrdias, mirabolantes, contraproducentes. cansei de me prometer. mas não posso contar isso para ninguém. funciono movido pela paixão. sou um artista que encena gloriosamente meu espetáculo construído com mentiras. mentiras que serviram para acomodar desilusões. vivo o caos. a beira da catástrofe. a angústia me domina me empurrando para o fim.

não basta saber. mas eu sei que no silêncio do meu pensamento guardado no arquivo mais fundo e muitas vezes inatingível, que o funcionamento passional exige provas cabais para acusar aquele que abastece a fantasia de que existe um salvador para os pobres e oprimidos. o mito talvez nunca será considerado culpado pelo seus defensores na medida em que a constatação da culpa traz pro defensor a penosa cena da destruição da sua própria fantasia e isso só os fortes conseguem suportar. só os fortes conseguem reconhecer e conviver com o engano. e eu que agasalhei esse mito no meu interior. me sinto fraco e impotente, indisponível para derrubar e erguer um novo funcionamento que garanta o abandono da droga paixão. reconstruir é pior que construir. vou enfrentar.

falta

AgisJunior_27

Ainda
que me
faltem
OLHOS
BOCA
DENTES
ficarei
aqui
impávido
sorridente
vacilante
rangendo
dentes
imaginarios
olhando
quadros
pintados
na mente
forjada
materializada
dizendo
frases
que não
OUVI
que não
SENTI
que não
FALEI
Apenas
hei
de ver
um quadro
branco
de brandos
pensamentos
a clamarem
por
sossego.